O tarifaço de Trump ganha um novo e decisivo capítulo. O governo norte-americano abriu uma nova frente de batalha comercial contra o Brasil e confirmou, no dia 15 de julho de 2026, a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, e no dia 23 de julho de 2026, a sobretaxa adicional de 12,5%. Ambas medidas estão em vigor desde o dia 24 de julho.

A decisão, respaldada pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 após um ano de investigações pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), acusa o país de práticas “irrazoáveis”.

Abaixo, detalhamos os motivos deste embate, o fracasso nas negociações, a lista oficial de produtos poupados e afetados, a reação do governo brasileiro e os prazos decisivos para o mercado.

Abaixo, detalhamos os motivos deste embate, o fracasso nas negociações, a lista oficial de produtos poupados e afetados, a reação do governo brasileiro e os prazos decisivos para o mercado.

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Os 6 motivos alegados pelos EUA para a retaliação

O relatório final do USTR justifica a tarifa inicial de 25% apontando irregularidades e barreiras comerciais divididas em seis eixos principais. O documento acusa o Brasil de adotar políticas que “oneram ou restringem” o comércio norte-americano:

  1. Comércio digital e serviços de pagamento (Pix): Os EUA criticam ordens “secretas” de tribunais brasileiros (STF) que obrigaram redes sociais americanas a remover conteúdos e perfis políticos sob pena de multas severas. Além disso, acusam o Banco Central de favorecer o Pix, agindo como regulador e proprietário, limitando a atuação de concorrentes dos EUA.
  2. Combate à corrupção: O documento aponta que o Brasil falha em coibir o suborno. Cita, especificamente, a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF, a falta de transparência em acordos de leniência e a queda do país em índices globais de transparência.
  3. Desmatamento ilegal: O USTR alega que, apesar de o Brasil ter leis ambientais, falha historicamente em aplicá-las com eficácia.
  4. Proteção da propriedade intelectual: Críticas à lentidão do INPI na análise de patentes (especialmente biofarmacêuticas, que chegam a levar 109 meses) e à falta de rigor contra a pirataria.
  5. Acesso ao mercado de etanol: Acusação de que o Brasil não oferece tratamento recíproco às exportações de etanol vindas dos EUA desde 2017.
  6. Tarifas preferenciais desleais: Os EUA contestam acordos comerciais do Brasil com México e Índia, alegando que concedem vantagens indevidas a concorrentes globais.
  1. Acesso ao mercado de etanol: Acusação de que o Brasil não oferece tratamento recíproco às exportações de etanol vindas dos EUA desde 2017.

O fracasso nas negociações: antes da decisão final, o governo brasileiro tentou evitar a taxação, mas as negociações fracassaram. Integrantes do governo Lula afirmaram que três exigências americanas eram inegociáveis: mudanças no funcionamento do Pix, a ampliação do acesso do etanol americano ao mercado brasileiro e a anistia do pagamento de tributos e multas para plataformas digitais (big techs).

Produtos afetados: quem perde e quem se salva no novo tarifaço de Trump

Ao contrário da primeira tentativa de tarifaço, a decisão baseada na Seção 301 prevê taxar mercadorias específicas, poupando aquelas consideradas essenciais ou de “segurança nacional” para os EUA.

Atenção aos 50% e à Tarifa Cumulativa (37,5%): É importante destacar que, embora a Suprema Corte tenha derrubado a tarifa geral de 50%, produtos como aço e alumínio continuam sujeitos à sobretaxa de 50%. Além disso, uma investigação paralela sobre “trabalho forçado” adicionou aos 25% uma taxa extra de 12,5%, elevando a tarifa final de diversos produtos brasileiros para 37,5%.

Essa adição substitui a taxa global anunciada por Donald Trump em fevereiro de 2026.

Os impactos exigem um rápido redirecionamento de mercados por parte das empresas. Abaixo, detalhamos a nova configuração de alvos e isenções confirmadas:

Setores duramente afetados pela tarifa de 37,5%

Os setores de manufatura recebem o impacto direto da medida:

  • Calçados: Sem qualquer menção a isenções no novo documento do governo americano, o setor enfrentará pressões nas margens de lucro, risco de queda nas vendas e acúmulo de estoques.
  • Têxteis: A indústria têxtil brasileira não recebeu proteção. A sobretaxa encarecerá os fios e o vestuário nacional, prejudicando a competitividade no varejo dos Estados Unidos.
  • Móveis: Produtos moveleiros residenciais e comerciais também entram na lista de taxação.
  • Etanol, Máquinas e Equipamentos: Estes setores também não escaparam e passarão a enfrentar a nova sobretaxa no mercado norte-americano, dificultando as exportações industriais e de biocombustíveis.

Setores poupados pelo Tarifaço de Trump (isenções confirmadas)

O grande diferencial deste tarifaço é que Washington decidiu blindar seu próprio mercado consumidor de inflação nos alimentos e insumos básicos. Setores estratégicos agora constam oficialmente na lista de isenções e não pagarão a tarifa:

  • Café: Em 2024, o Brasil exportou quase US$ 2 bilhões em café para os EUA. O grão brasileiro está oficialmente isento da nova taxação.
  • Carne Bovina: O documento americano isentou a carne bovina, afastando o risco de queda na receita líquida projetada por empresas do setor, como Minerva, JBS e Marfrig.
  • Frutas: Com a nova regra, mangas, uvas e açaí foram categoricamente poupadas, mantendo sua competitividade intacta.
  • Petróleo Bruto e Celulose: Matérias-primas fundamentais para a economia americana também foram blindadas e estão fora da cobrança.
  • Setor Aeronáutico (Embraer): Aeronaves civis escaparam ilesas, garantindo a preservação de contratos milionários.

Balança comercial Brasil X EUA: uma relação historicamente assimétrica

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, o Brasil exportou mais de US$ 40 bilhões em produtos para os americanos, enquanto importou cerca de US$ 42 bilhões, o que mantém um saldo historicamente positivo para os EUA. Segundo dados da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), apenas no primeiro semestre de 2025, os americanos obtiveram superávit de R$ 1,7 bilhão com o Brasil — um número quase cinco vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior.

O tarifaço de Trump ameaça interromper cadeias de valor globais e pode provocar um redirecionamento forçado das exportações brasileiras.

Os impactos no Brasil e no mundo do Tarifaço de Trump

O tarifaço de Trump ameaça interromper cadeias de valor globais e pode provocar um redirecionamento forçado das exportações brasileiras. Setores que dependem dos EUA como principal destino enfrentam risco de estoques encalhados, cortes de produção e demissões. Em estados como Mato Grosso do Sul, Espírito Santo e Paraná, empresas já começaram a suspender embarques e colocar funcionários em férias coletivas.

Além disso, há preocupação de que o aumento de tarifas nos EUA desorganize o mercado e force a realocação emergencial de produtos para destinos menos vantajosos, inclusive com prejuízo.

👉 Leia mais sobre os impactos globais do tarifaço clicando aqui

Tarifaço de Trump: Estados do Brasil mais afetados

A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras preocupa diretamente cinco Estados brasileiros, que concentram mais de 70% das vendas ao mercado americano. São eles: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, segundo levantamento da Amcham.

Esses Estados possuem economias fortemente ligadas às exportações industriais — que vão desde suco de frutas, aeronaves e ferro gusa até petróleo, café e calçados. A aplicação da tarifa pode tornar os produtos brasileiros inviáveis no mercado americano, o que resultaria em:

  • Perda de competitividade
  • Queda nas exportações
  • Corte de produção
  • Demissões em setores industriais

Além disso, a medida também afeta os Estados que mais importam produtos dos EUA. Caso o Brasil decida retaliar com tarifas — como autorizado pela Lei da Reciprocidade Econômica —, importações de medicamentos, máquinas e combustíveis também seriam impactadas, com efeitos diretos sobre o custo desses bens para empresas e consumidores.

Outro ponto sensível é a infraestrutura portuária e aeroportuária. Os principais canais de entrada e saída de mercadorias entre os dois países — como o porto de Santos (SP) e os aeroportos de Guarulhos e Viracopos — também seriam afetados por uma redução no fluxo comercial.

Resumo dos Estados mais afetados pelo tarifaço

EstadoExportações aos EUA (US$ – 1º sem./25)% do Total ExportadoPrincipais ExportaçõesImportações dos EUA (US$ – 1º sem./25)% do Total ImportadoPrincipais Importações
São PauloUS$ 6,4 bilhões31,9%Suco de frutas, aeronaves, equipamentos florestaisUS$ 6,7 bilhões31,2%Medicamentos, inseticidas, máquinas de dados
Rio de JaneiroUS$ 3,2 bilhões15,9%Petróleo bruto, ferro e aço, óleos combustíveisUS$ 4,6 bilhões21,3%Máquinas industriais, combustíveis, carvão
Minas GeraisUS$ 2,5 bilhões12,4%Café, ferro gusa, máquinas de energia elétricaUS$ 1,1 bilhão5,4%Máquinas, carvão, polímeros
Espírito SantoUS$ 1,6 bilhão8,1%Ferro e aço, cimento, celuloseUS$ 1,1 bilhão5,2%Aeronaves, carvão, veículos
Rio Grande do SulUS$ 950,3 milhões4,7%Tabaco, máquinas elétricas, calçados
BahiaUS$ 1,2 bilhão5,6%Combustíveis, petróleo, químicos inorgânicos

Fonte: Amcham Brasil

Consequências para produtores e consumidores

O ministro Wellington Dias já advertiu que, embora a queda nas exportações possa gerar, a curto prazo, um alívio inflacionário com preços menores de alimentos, o médio e longo prazo podem ser sombrios. A retração na produção devido à falta de estímulo pode:

  • Desempregar milhares no campo e na indústria;
  • Quebrar pequenas e médias empresas exportadoras;
  • Aumentar os custos com armazenagem de produtos perecíveis;
  • Atrapalhar o planejamento de safra futura.

O que o governo brasileiro pode fazer para driblar ‘tarifaço de Trump’

O governo brasileiro estuda alternativas para driblar o impacto sem mergulhar em uma guerra comercial que possa se voltar contra a própria economia nacional. Nos dias 6 e 7 de julho, o setor produtivo (CNI, Fiesp, CNA, Abimaq) participou de audiências públicas nos EUA tentando evitar a medida, sem sucesso.

Agora, a resposta exige uma combinação de diplomacia, medidas jurídicas e estratégias econômicas de curto e médio prazo:

  • Aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica: O governo avalia retaliar aplicando tarifas contra produtos americanos, como medicamentos, máquinas e combustíveis.
  • Diversificação de mercados: A ApexBrasil já iniciou tratativas com mercados alternativos, como Indonésia, Vietnã, Filipinas, Egito e Emirados Árabes. A ideia é garantir acordos sanitários e simplificação de trâmites alfandegários.
  • Incentivos à industrialização local: O governo estuda políticas de incentivo à industrialização local, que podem incluir créditos com juros subsidiados para agroindústrias e apoio à instalação de fábricas voltadas à exportação.
  • Foco na estabilidade cambial e controle fiscal: O Banco Central tem monitorado a situação e pode atuar no câmbio para garantir estabilidade, evitando que o encarecimento de importações eleve a inflação.

👉 Leia mais sobre como funciona  o Swap de dólar que o BC pode fazer nesta situação.

FAQ – Tarifaço de Trump

1. O que são tarifas de importação? Tarifas de importação são impostos cobrados sobre produtos estrangeiros que entram em um país. Elas servem para proteger a produção nacional, equilibrar a concorrência com produtos locais e aumentar a arrecadação do governo.

2. Quem paga pelas tarifas de importação? As tarifas são pagas pelas empresas importadoras, e não pelo país exportador. No entanto, esse custo costuma ser repassado ao consumidor final.

3. Para onde vai o dinheiro arrecadado com as tarifas? O valor pago em tarifas vai direto para os cofres do governo que impõe o imposto (Tesouro norte-americano).

4. Por que Trump aplicou tarifas a tantos países? Trump adotou uma política econômica protecionista para proteger a indústria americana, reduzir a dependência externa e usar tarifas como ferramenta de pressão política.

5. As tarifas de Trump afetam o Brasil? Sim. O Brasil foi alvo de uma tarifa de 37,5% sobre diversos produtos, incluindo calçados, têxteis, móveis, etanol e máquinas. Além disso, aço e alumínio seguem sobretaxados em 50%. Porém, o governo americano abriu exceções e isentou produtos como café, carne bovina, petróleo, celulose e aeronaves civis.

6. Quando a tarifa entra em vigor? A decisão foi confirmada em 15 e 23 de julho de 2026 e a taxa passará a ser cobrada no dia 24 de julho de 2026. Mercadorias que já tiverem saído do Brasil antes dessa data não serão afetadas.

7. O que o governo brasileiro está fazendo para reagir? O governo tentou negociar e participou de audiências públicas. Com a confirmação, prepara medidas que envolvem a diversificação de mercados, apoio financeiro a empresas e estuda aplicar retaliações baseadas na Lei da Reciprocidade Econômica.

8. Existe alguma motivação política nas tarifas contra o Brasil? Sim. Segundo o próprio USTR, a imposição de tarifas tem relação com questões políticas e institucionais, como decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre redes sociais, a atuação do Banco Central em relação ao Pix e o cancelamento de processos da Operação Lava Jato.

Essa instabilidade pode comprometer a confiança dos investidores e a previsibilidade da política monetária.Além disso, se a crise comercial se prolongar, importadores e varejistas podem reduzir estoques por precaução, o que afeta diretamente a experiência de compra do consumidor final.

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