Carros elétrico x Reforma Tributária é um dos embates mais controversos trazidos pela nova legislação fiscal aprovada e parcialmente sancionada em 2025. A reforma marca uma mudança histórica ao substituir cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) por três novos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e o Imposto Seletivo (IS), popularmente chamado de “imposto do pecado”.

Entre as decisões mais criticadas está a inclusão de veículos elétricos e híbridos no Imposto Seletivo, equiparando-os a itens como bebidas alcoólicas e cigarros. Em contrapartida, caminhões movidos a diesel e armas de fogo ficaram de fora da alíquota extra. A medida gerou reações negativas no setor automotivo e ambiental, por contrariar políticas de incentivo à eletrificação veicular e levantar dúvidas sobre os reais critérios adotados na reforma.

  • Neste artigo você vai ver:

O que muda com a reforma tributária?

A proposta da reforma é substituir os antigos tributos por um sistema mais transparente e uniforme. Os principais pontos são:

  • CBS (federal): Substitui PIS, Cofins e IPI com alíquota prevista de 8,8%.
  • IBS (estadual e municipal): Substitui ICMS e ISS, com alíquota aproximada de 17,7%.
  • Imposto Seletivo (IS): Incide sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.

A alíquota total média do novo sistema pode passar dos 28%, mas a projeção inicial do governo é que fique em 26,5%, mas setores estratégicos podem receber isenções ou reduções. O Imposto Seletivo será definido posteriormente, com critérios técnicos como eficiência energética, reciclabilidade de materiais e emissão de carbono.

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Carros elétricos no “imposto do pecado”: uma contradição?

No texto que regulamenta a reforma tributária, carros elétricos e híbridos passaram a integrar a lista do Imposto Seletivo, ao lado de cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes. O argumento central para essa inclusão é o impacto ambiental das baterias de lítio e do descarte desses componentes.

Contudo, o mercado e especialistas apontam incoerência técnica e política na decisão:

  • Carros a gasolina, diesel e etanol não foram incluídos no IS.
  • Caminhões movidos a diesel, mesmo sendo altamente poluentes, foram isentados, sob justificativa de que “movem a economia”.
  • Armas de fogo, inicialmente previstas no IS, foram retiradas por pressão política no Senado.

Essa aparente contradição vai na contramão de tendências globais, onde a eletrificação de frotas é incentivada para reduzir emissões de carbono.

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Argumentos do governo e do setor privado sobre carros elétricos na reforma tributária

Governo e Congresso alegam que a inclusão dos carros elétricos se justifica pelo impacto ambiental no processo de fabricação e descarte de baterias. Para setores estratégicos, como transporte de carga, a taxação seria desestimulante à economia, especialmente diante da frágil malha ferroviária nacional.

Por outro lado, a indústria automotiva e ambientalistas criticam duramente a medida. O presidente da Anfavea, Márcio Lima, destaca que veículos novos emitem 23 vezes menos CO² que os antigos e a taxação pode frear avanços tecnológicos no Brasil.

Carros elétricos e a carga tributária – antes e depois da reforma

Abaixo, um comparativo simplificado entre a carga tributária de veículos no cenário atual e no cenário com a reforma tributária.

Tabela: Carga tributária estimada – antes x depois da reforma

Tipo de veículoSituação atual (2024)Pós-reforma (2025 em diante)Incidência de IS?Observações
Carro a gasolina~36% (IPI + ICMS + PIS/Cofins)~26,5% (IBS + CBS)NãoFica fora do imposto seletivo
Carro a diesel~34%~26,5%NãoForte lobby do setor de transporte de cargas
Carro híbrido~35%26,5% + IS variávelSimVaria conforme emissão e eficiência
Carro elétrico~32%26,5% + IS variávelSimMesmo sendo menos poluente
Caminhão a diesel~28%~26,5%NãoIsento de IS por ser estratégico
Armas de fogo~25%~26,5%Não (removido)Removidas do IS por decisão do Senado

Fonte: Estimativas baseadas nos percentuais médios divulgados na regulamentação da reforma tributária e especialistas do setor.

Impactos econômicos e ambientais dos carros elétricos

1. Desestímulo à inovação

A sobretaxa sobre veículos elétricos desestimula a modernização da frota nacional. Em vez de incentivar tecnologias limpas, o Brasil sinaliza retrocesso no setor automotivo.

2. Competitividade internacional

Outros países subsidiam ou isentam veículos elétricos. Com a nova taxação, carros elétricos no Brasil ficarão mais caros e perderão competitividade frente a modelos importados ou movidos a combustíveis fósseis.

3. Incoerência ambiental

Enquanto o mundo combate o aquecimento global, o Brasil passa a tributar o que deveria incentivar. A contradição entre discurso e prática ambiental torna-se evidente com a exclusão de diesel e a inclusão de elétricos.

O que esperar nos próximos passos?

A reforma ainda passa por fases de regulamentação e definição de alíquotas exatas. O Imposto Seletivo, por exemplo, ainda terá sua alíquota detalhada por lei ordinária e poderá ser ajustado conforme critérios técnicos.

Organizações como ABVE e Anfavea já se mobilizam para pressionar o Congresso e o Executivo a rever a taxação sobre veículos elétricos, argumentando seus impactos nocivos à eletrificação e à sustentabilidade.

Como o Tax Group e o RTI ajudam sua empresa a enfrentar os impactos da Reforma Tributária

A Reforma Tributária brasileira representa um avanço estrutural, mas também levanta questionamentos relevantes — como a inclusão de veículos elétricos no Imposto Seletivo, enquanto automóveis movidos a diesel e até armas de fogo ficaram isentos. A medida contraria tendências globais de incentivo à mobilidade sustentável e pode desestimular a eletrificação da frota nacional, afetando investimentos e inovação no setor automotivo.

Diante dessas contradições e da complexidade da transição para o novo sistema tributário, é essencial que as empresas estejam preparadas de forma estratégica. É nesse contexto que o Tax Group oferece o Reforma Tributária Inteligente (RTI) — uma solução completa para avaliar, planejar e adaptar o seu negócio às novas exigências fiscais.

Como o RTI contribui com sua empresa

O RTI analisa profundamente as operações fiscais da empresa e projeta os impactos da reforma em três etapas:

  • Pré-Reforma (até 2025)
  • Sistema Misto (2026 a 2032)
  • Novo Regime (a partir de 2033)

Essa abordagem permite:

  • Adequação fiscal ao novo modelo de tributação (IBS, CBS e IS)
  • Identificação de créditos recuperáveis e oportunidades de caixa
  • Redução da carga tributária com planejamento antecipado
  • Simulação de cenários futuros e comparação com a estrutura atual
  • Prevenção de riscos e impactos financeiros durante a transição

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