O aumento do IOF é uma das pautas mais debatidas entre as autoridades federais nas últimas semanas. Diversas movimentações levaram o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para as páginas de destaque dos portais de notícias e jornais. Mas de que forma a alta desse tributo impacta o mercado?

Neste conteúdo, vamos contextualizar as ações que geraram tamanho destaque na mídia, o que elas representam para o mercado financeiro e quem é afetado com o aumento do IOF. 

  • Neste artigo você vai ver:

Como o aumento do IOF impacta o mercado?

Antes de abordar o reflexo do aumento no mercado, é importante compreender do que se trata o IOF. Nomeado de Imposto sobre Operações Financeiras, esse tributo tem competência federal e é pago em transações financeiras como câmbio, crédito, investimentos, seguros, entre outros.

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Por se tratar de um imposto ligado a operações financeiras, qualquer movimentação que o envolve pode influenciar o comportamento econômico do país – assim como é com os demais tributos. Porém, sua diferença para os outros impostos está no contato direto com os investimentos e rendimentos de empresas. 

O primeiro contato do aumento do IOF é com os empréstimos, financiamentos e operações de capital de giro. A alta sobre essas transações compromete os processos das organizações que contam com um fluxo de caixa equilibrado e buscam aumentar a margem de lucro. Isso porque, assim como em qualquer aumento, a cadeia produtiva passa a sofrer modificações e com isso o custo passa a ser mais elevado – nesse caso sobre as operações financeiras, ponto crucial de sobrevivência para qualquer empresa.

Repercussão internacional 

Quando analisamos os impactos sobre os empreendimentos, um dos pontos mais sensíveis ao aumento do IOF são as operações de câmbio. Transações financeiras ligadas à importação ou exportação de produtos tendem a se encarecer, comprometendo a atratividade dessas negociações e afetando diretamente a competitividade das empresas no mercado internacional.

Na prática, qualquer elevação do IOF provoca ajustes em diferentes etapas dos processos. O mercado reage rapidamente, e os empreendedores passam a reavaliar contratos, custos operacionais e decisões de compra que envolvam transações internacionais — especialmente diante da valorização cambial provocada pelo encarecimento do crédito e da conversão de moedas.

Reflexo em toda cadeia

Embora algumas organizações não realizem operações diretas com crédito ou câmbio, o aumento do IOF também pode impactá-las de forma indireta. Isso porque fornecedores, instituições financeiras e seguradoras costumam repassar parte dos custos adicionais gerados pela elevação do imposto em forma de reajustes nos preços, tarifas e condições comerciais.

Ou seja, mesmo que o IOF não incida diretamente sobre a sua operação, ele pode gerar efeitos em cadeia, elevando custos em etapas estratégicas do negócio e afetando a rentabilidade de forma “invisível”.

Em que situação o IOF se encontra?

O aumento do IOF, proposto pelo Governo Federal em maio de 2025, foi revogado pelo Congresso Nacional em junho de 2025, após forte rejeição dos parlamentares. O decreto previa uma alíquota unificada de 3,5% para diversas operações financeiras, incluindo câmbio, remessas e compras internacionais, o que gerou ampla repercussão no mercado.

Mesmo com a tentativa do Governo de recuar parcialmente por meio de uma Medida Provisória – que trouxe novas propostas de tributação sobre investimentos como LCIs, LCAs e CDBs – o Congresso optou por derrubar integralmente o decreto. 

Atualmente, estão em vigor as alíquotas anteriores ao decreto, ou seja, não houve mudanças na cobrança do IOF.

⚠️ Este conteúdo foi atualizado pela última vez em 7 de julho de 2025 – as informações estão sujeitas a alterações.

O que esperar nos próximos meses?

O Governo Federal acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do Congresso, alegando violação ao princípio da separação de Poderes.

🔷 Em resumo, o cenário do IOF segue instável. Apesar da revogação do aumento pelo Legislativo, o tema segue em debate no âmbito jurídico.

Quem paga o IOF?

Esse imposto é pago por pessoas físicas ou jurídicas, sempre que realizam determinadas movimentações financeiras. O tributo é cobrado automaticamente no momento da operação e o valor é recolhido pela instituição financeira responsável. 

Veja quem paga o IOF em cada situação:

🔵 Consumidores que utilizam o cartão de crédito em compras internacionais, mesmo que a transação seja feita em reais.

🔵 Pessoas físicas ou empresas que contratam empréstimos e financiamentos, incluindo crédito direto ao consumidor, crédito consignado, leasing e outras formas de obtenção de crédito.

🔵 Investidores que realizam o resgate de aplicações financeiras de curto prazo, como CDBs ou fundos, antes do prazo mínimo de carência.

🔵 Clientes que utilizam o cheque especial, sempre que há saldo negativo coberto pelo banco.

🔵 Quem realiza operações de câmbio, como compra ou venda de moeda estrangeira para viagens, remessas ou investimentos no exterior.

🔵 Contratantes de seguros, como seguro de vida, de automóveis, de bens e outros tipos sujeitos à incidência do IOF.

Qualquer pessoa ou empresa que execute uma dessas operações é automaticamente contribuinte do IOF, ainda que o recolhimento seja feito pela instituição intermediadora.

O que justifica a tentativa de aumento do IOF?

A resposta para o aumento do IOF está diretamente ligada à política fiscal do Governo Federal. Para atingir as metas de equilíbrio das contas públicas, o governo adotou uma série de medidas voltadas ao aumento da arrecadação — e entre elas, estava o reajuste do IOF.

Diversas iniciativas da União têm como foco combater o endividamento público por meio da ampliação das receitas tributárias. No entanto, no caso específico do IOF, a medida gerou forte rejeição, sobretudo por ter sido apresentada sem contrapartidas — como cortes de gastos ou compensações fiscais — que amenizassem o impacto sobre contribuintes.

No entanto, a crítica principal é que o aumento do IOF teve foco apenas em arrecadar mais, contrariando seu propósito original de servir como instrumento de regulação do mercado.

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