O universo das milhas aéreas está em um ponto de inflexão com as recentes discussões sobre a Reforma Tributária, demandando atenção imediata de gestores. A forma como esses ativos são tratados no âmbito tributário pode representar um impacto significativo no planejamento financeiro e na eficiência operacional das empresas.

Compreender as nuances dessa transição é crucial para mitigar riscos e capitalizar novas oportunidades, garantindo a sustentabilidade e a competitividade no cenário pós-reforma.

Este artigo aborda as implicações da tributação sobre milhas aéreas, contextualizando as mudanças legislativas e analisando seus efeitos práticos no fluxo de caixa e na estratégia corporativa. Nele, você vai entender desde a origem do debate até as projeções de impacto.

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Milhas aéreas com a Reforma Tributária

A Reforma Tributária, durante a tramitação e com regulamentações em desenvolvimento, propunha alterações substanciais no sistema tributário brasileiro. O tratamento das milhas aéreas é um dos pontos de atenção para empresas que utilizam esses ativos em suas operações ou programas de fidelidade. A principal alteração em discussão girava em torno da potencial tributação sobre o acúmulo e a utilização dessas milhas, o que poderia impactar diretamente o caixa das companhias.

A legislação que estabelece princípios para a reforma, como a Lei Complementar nº 214, embora focada na transição para um modelo de tributação sobre o consumo, abre precedentes para a reavaliação de diversas bases de cálculo, incluindo as milhas aéreas.

No entanto, o segundo e último Projeto de Lei Complementar que regulamenta pontos centrais da Reforma Tributária foi sancionado com alguns vetos. Dentre eles, foi citado a situação dos programas de fidelidade e milhas aéreas. A justificativa para o veto foi:

…a proposição legislativa contraria o interesse público ao impor custos tributários sobre programas de descontos não onerosos para consumidores de serviços aéreos e gerar riscos de prejuízo à competitividade e de aumento de preços no setor.

Fonte: Imprensa GOV.BR

Recapitulando a proposta e como seria o cenário com tributação sobre milhas

O debate sobre a taxação das milhas aéreas ganhou força com o contexto da Reforma Tributária, que busca simplificar e unificar tributos. Historicamente, as milhas eram frequentemente vistas como um benefício ou um programa de fidelidade, com tratamento fiscal menos rigoroso ou isento em muitos casos.

No entanto, a crescente relevância econômica desses programas e o potencial de serem utilizados como forma de remuneração ou ativo tangível levaram à reavaliação por parte do fisco. A proposta de reforma incentiva uma visão mais abrangente sobre o que constitui base de cálculo para tributos.

A origem da discussão atual reside na necessidade de uniformizar o tratamento de diferentes formas de valor econômico dentro do novo sistema tributário. A preocupação era que a ausência de uma tributação nítida sobre milhas aéreas pudesse criar um desequilíbrio competitivo ou uma brecha para a evasão fiscal, considerando que elas representam um valor econômico real.

Se fosse implementada a tributação, o impacto no fluxo de caixa das empresas poderia ser expressivo, especialmente para aquelas com programas de fidelidade robustos ou que utilizam milhas como parte de estratégias de marketing e recompensa.

Quais os impactos no fluxo de caixa e na estratégia corporativa?

O impacto mais imediato da tributação de milhas aéreas no fluxo de caixa das empresas seria o aumento da carga tributária. Se o acúmulo ou o resgate de milhas passar a ser tributado, isso representará um custo adicional que precisará ser absorvido ou repassado. Para companhias aéreas e empresas com programas de fidelidade extensos, isso pode significar um desembolso considerável de caixa, exigindo uma reavaliação de margens e resultados. A necessidade de provisionar valores para o pagamento de novos tributos demandará um ajuste no planejamento financeiro de curto e médio prazos.

Estrategicamente, a tributação de milhas aéreas pode forçar uma reconfiguração dos programas de fidelidade. Empresas podem optar por reduzir o acúmulo de milhas, alterar as regras de resgate, ou até mesmo descontinuar certos benefícios para mitigar o impacto fiscal. Isso pode afetar a lealdade do cliente e a competitividade da empresa no mercado. A análise de custo-benefício de manter e operar programas de fidelidade sob um novo regime tributário será crucial, possivelmente levando a uma diversificação das estratégias de marketing e retenção de clientes.

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Riscos fiscais associados às milhas aéreas

Um dos principais riscos fiscais reside na interpretação retroativa ou na aplicação de novas regras a transações passadas. Caso alguma regulamentação futura defina que as milhas acumuladas antes de sua vigência são tributáveis, as empresas podem enfrentar passivos fiscais inesperados.

Outro risco está na correta mensuração e contabilização das milhas. Definir o valor justo de mercado para fins tributários pode ser complexo e sujeito a questionamentos. A falta de padronização e a volatilidade do valor das milhas abrem margem para divergências de interpretação entre a empresa e o fisco. Além do mais, a inadequação na contabilização pode levar a subdeclarações de receita ou ganhos, configurando infrações fiscais.

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