O Acordo Mercosul-UE redefine o panorama estratégico do agronegócio brasileiro. A recente formalização política, ocorrida em janeiro de 2026, representa um marco significativo para a integração de dois dos maiores blocos econômicos globais, com um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões e uma população de 718 milhões de pessoas.

Diferente de tratados anteriores, o acordo baseia-se na assimetria favorável ao Mercosul: a UE eliminará tarifas sobre 95% dos bens do bloco em até 12 anos, enquanto o Mercosul terá até 15 anos para reduzir as suas sobre 91% dos produtos europeus.

Esta perspectiva sinaliza oportunidades substanciais, mas também exige uma readequação estratégica, especialmente considerando que a União Europeia representou cerca de 15% das exportações do agronegócio brasileiro em 2025.

  • Neste artigo você vai ver:

Como o Acordo Mercosul-UE redefine o cenário competitivo do Agronegócio Brasileiro?

O setor do agronegócio no Brasil se posiciona como um beneficiário direto do Acordo Mercosul-UE, embora com requisitos de adaptação. A eliminação ou redução de tarifas sobre uma vasta gama de produtos brasileiros já estabelecidos no mercado europeu fortalece a competitividade. Setores de ganho imediato incluem:

  • Fruticultura: Otimizando a presença de produtos brasileiros nas prateleiras europeias.
  • Café Solúvel, Óleos Vegetais e Pescados: Experimentarão a remoção de barreiras tarifárias, viabilizando uma expansão direta de receita para as empresas exportadoras.
  • Complexo da Soja: A União Europeia foi o terceiro maior destino em 2025, com embarques próximos de US$ 6 bilhões, e será beneficiado pela redução de tarifas.
  • Setor de Celulose: As exportações para o bloco em 2025 foram de US$ 1,98 bilhão, com a UE sendo o segundo maior destino. A redução de tarifas pode aumentar ainda mais a competitividade.

Confira abaixo um infográfico que resume o cenário do Agronegócio:

Infográfico impacto do Acordo Mercosul-UE no setor do Agronegócio

Otimização Tributária Direta: A eliminação de barreiras tarifárias no Acordo Mercosul-UE

A eliminação de tarifas de importação pela União Europeia sobre produtos do Mercosul gera uma economia tributária direta, impactando positivamente o fluxo de caixa das empresas exportadoras brasileiras. Esta medida resulta na redução do custo final dos produtos no mercado europeu, conferindo maior competitividade e potencial para aumento de margem ou volume de vendas. Para as empresas do agronegócio, essa mudança representa uma otimização imediata na estrutura de custos de exportação.

Para aprofundar sua compreensão sobre o impacto e as oportunidades fiscais do acordo, leia mais em: Acordo Mercosul-UE: o que é e o que muda para o Brasil.

Gestão de cotas e regimes especiais: O Acordo Mercosul-UE para produtos sensíveis

Para categorias de produtos consideradas sensíveis pela União Europeia, o Acordo Mercosul-UE estabelece um sistema de cotas de exportação.

O Mercosul poderá exportar volumes específicos com tarifa zero ou reduzida, com o excedente permanecendo sujeito às taxas padrão. As empresas devem incorporar esta dinâmica em seus planejamentos de exportação para maximizar os benefícios dentro dos limites estabelecidos.

Nem todos os produtos terão liberalização total imediata. Itens estratégicos para os produtores europeus serão geridos por Cotas Tarifárias (volumes específicos com tarifa zero ou reduzida).

ProdutoVolume da CotaTarifa IntraquotaRegra de Implementação
Carne Bovina99 mil t7,50%Crescimento gradual em 6 etapas. (55% resfriada / 45% congelada).
Cota Hilton10 mil tZeroIsenção imediata na entrada em vigor (redução de 20% para 0%).
Carne de Aves180 mil tZeroDivisão igualitária entre cortes com osso e desossados.
Carne Suína25 mil t€ 83 / tCota inédita com tarifa fixa reduzida.
Etanol Industrial450 mil tZeroDestinado à indústria química; isenção na entrada em vigor.
Etanol (Outros usos)200 mil tReduzidaTarifa equivalente a 1/3 da atual europeia (uso combustível).
Açúcar180 mil tZeroIsenção na entrada em vigor (Cota extra de 10 mil t para o Paraguai).
Milho e Sorgo1 milhão tZeroIsenção total dentro do limite da cota.
Arroz60 mil tZeroImplementação gradual com tarifa zero intraquota.
Mel45 mil tZeroImplementação gradual com tarifa zero intraquota.

Impacto no fluxo de caixa e planejamento estratégico pós acordo Mercosul-UE

As projeções de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Acordo Mercosul-UE pode gerar um crescimento de 2% na produção agropecuária brasileira, equivalendo a um acréscimo de US$ 11 bilhões anuais. Esse incremento potencializa o fluxo de caixa das empresas por meio do aumento de receitas de exportação. O planejamento estratégico deve contemplar a readequação de processos produtivos e logísticos para atender à demanda ampliada e aos rigorosos padrões de qualidade europeus. A redução da dependência de mercados concentrados é um benefício estratégico do acordo, conforme destacado pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). A análise de cenários macroeconômicos e o acompanhamento das taxas de câmbio são fundamentais para precificação e gestão de riscos financeiros.

Para otimizar o fluxo de caixa e explorar incentivos, confira: Incentivos Fiscais: o que são, quais os benefícios e como aproveitá-los?

Análise de Riscos Fiscais e Compliance: desafios do acordo Mercosul-UE

Apesar das oportunidades, o Acordo Mercosul-UE introduz complexidades em termos de compliance fiscal e aduaneiro. A correta interpretação das regras de origem, o cumprimento das cotas estabelecidas e a adequação às regulamentações fitossanitárias e ambientais da União Europeia são pontos críticos. Mecanismos de salvaguarda criados pela União Europeia buscam evitar surtos de importações que pudessem afetar o agronegócio europeu, exigindo das empresas brasileiras um monitoramento constante das políticas comerciais do bloco. A falha em cumprir as exigências pode resultar em penalidades fiscais e perda dos benefícios tarifários.

Principais Desafios de Compliance:

  • Regras de Origem: A correta comprovação da origem dos produtos é fundamental para usufruir das tarifas preferenciais.
  • Cotas e Salvaguardas: O monitoramento constante dos limites de cotas e a compreensão dos mecanismos de salvaguarda europeus são essenciais para evitar sobretaxas inesperadas.
  • Regulamentações Não Tarifárias: Incluem exigências fitossanitárias, ambientais e de bem-estar animal, que demandam adequação de processos produtivos.

Mitigar riscos fiscais em operações internacionais exige um planejamento robusto. Saiba mais sobre: Planejamento Societário e Tributário Internacional.

A cadeia de suprimentos no Agronegócio: adaptações com o acordo Mercosul-UE

A entrada em vigor do Acordo Mercosul-UE demandará uma revisão e, em muitos casos, a reengenharia das cadeias de suprimentos do agronegócio brasileiro. A maior previsibilidade e as novas rotas comerciais podem exigir investimentos estratégicos em infraestrutura logística, como portos, terminais e transporte intermodal, para otimizar o escoamento da produção e reduzir custos operacionais.

A capacidade de rastreabilidade completa e a conformidade com as exigências europeias de sustentabilidade e bem-estar animal se tornarão diferenciais competitivos incontornáveis. Empresas devem avaliar a resiliência de seus fornecedores e a capacidade de adaptação às novas demandas.

Além disso, o acordo abre espaço para certas regiões do Brasil, como o Nordeste, se tornarem plataformas de exportação devido à proximidade geográfica com a Europa e à disponibilidade de mão de obra qualificada.

Modernização e inovação: alavancas do acordo Mercosul-UE para a competitividade

A abertura de mercado proporcionada pelo Acordo Mercosul-UE incentivará a modernização e inovação no agronegócio brasileiro. Para atender aos padrões de qualidade e exigências regulatórias da União Europeia, empresas precisarão investir em:

  • Tecnologias de Produção: Automação e otimização de processos para aumentar a eficiência.
  • Rastreabilidade: Sistemas que garantam o controle total da cadeia de valor, desde a origem até o consumidor final.
  • Certificações: Obtenção de selos de qualidade e sustentabilidade reconhecidos internacionalmente.

Para obter uma análise detalhada e personalizada do impacto do acordo nas suas operações, entre em contato com um especialista do Tax Group.

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