Nos últimos dois anos, o termo lawtech tem estado no centro de diversas discussões sobre o futuro da advocacia. Resta então entendermos o porquê.

Lawtech é uma composição dos termos law (advocacia) e technology (tecnologia). Ele nomeia as startups que criam produtos ou serviços tecnológicos para aprimorar a área jurídica. O objetivo delas é desenvolver soluções para auxiliar advogados, facilitar o acesso dos ‘cidadãos comuns’ ao direito, e provocar mudanças positivas na forma de atuação do poder judiciário.  

No Brasil já existem mais de 50 lawtechs. Em nível mundial, o número é cerca de trinta vezes maior, e a tendência é que siga aumentando. 

Se tomarmos nosso país como exemplo, veremos que as condições são muito favoráveis ao desenvolvimento deste tipo de negócio. A formação de jovens advogados, que cresce a cada ano, demanda uma modernização do setor jurídico — uma vez que eles já estão familiarizados com a tecnologia. 

Mas qual, afinal, é o motivo dos debates?

Toda a balbúrdia gira em torno do medo de que a ‘as máquinas irão extinguir os advogados’. Isso, porém, não é verdade. A tecnologia tem procurado oferecer auxílio a esses profissionais, valorizando o tempo de trabalho deles. As novas soluções para o setor jurídico buscam otimizar as atividades, diminuir a burocracia e revisar os processos; tudo para beneficiar o dia a dia profissional dos advogados. 

Um ótimo exemplo é a Sem Processo, empresa fundada pelo advogado Bruno Feigelson. Essa plataforma, que é exclusiva para advogados, promove a conexão entre eles e os departamentos jurídicos das empresas, a fim de solucionar conflitos online — sem audiências ou intermediações. Apenas em 2018, essa lawtech movimentou R$ 1 bilhão. 

Também é importante destacar a iniciativa de empresas como a Finch Soluções e JusBrasil, cujas contribuições foram extremamente positivas para o cenário jurídico brasileiro. A Finch Soluções, inclusive, foi a primeira organização do país a associar-se à IBM — importante companhia de tecnologia americana — fazendo bom uso de seus softwares para agilizar os processos contenciosos. 

Podemos ver, diante dos casos expostos, que as lawtechs têm proposto um novo formato para a advocacia, com o objetivo de aumentar a sua eficiência. Não se trata de uma competição, ou uma estratégia mal intencionada para derrubar toda a estrutura de uma área tão importante. Trata-se de querer descomplicar. 

Desafogar um dos sistemas judiciários mais morosos da atualidade através de medidas inovadoras, práticas e inteligentes, é algo que deve motivar todos os juristas do país. Esquecer os antigos conceitos formulados a respeito da tecnologia é primordial para avançar. Não se pode simplesmente escolher ficar parado no tempo. É necessário buscar atualizações, novos conhecimentos. 

É dever dos advogados aproveitar a onda de revolução tecnológica que tem atingido nosso cotidiano. Não há mais espaço para preferir o passado apenas pelo medo do novo. 

Que os juristas possam entender que eles não se encontram sob ameaça, mas sim, diante do mais vasto e infinito universo de possibilidades para reinventar o presente, construindo pontes para o futuro.

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