A pandemia causada pelo surto mundial do novo coronavírus trouxe um cenário curioso aos escritórios contábeis e jurídicos: ao mesmo tempo em que a procura por alguns serviços específicos aumentou, outros processos tiveram a sua execução travada pelas medidas tomadas.

Exemplo disso é a medida tomada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que, em 19 de março, suspendeu os prazos processuais do judiciário. Inicialmente, os processos seriam interrompidos até 30 de abril, porém, com os efeitos da pandemia, somente voltaram a correr no dia 14 de junho. Isso quer dizer que os processos de escritórios jurídicos ficaram parados por mais de 80 dias.

Por outro lado, houve um aumento nas demandas relacionadas ao momento em que vivemos, em especial as trabalhistas. Com as mudanças na lei que permitiram o teletrabalho, muitas empresas recorreram a escritórios jurídicos para tirarem suas dúvidas acerca do trabalho remoto. 

Quanto aos escritórios contábeis, a procura por serviços e consultorias referentes às mudanças tributárias também cresceu de forma significativa, aumentando seu faturamento e sendo necessário até mesmo aumentar o quadro funcional. 

Em contrapartida, com a diminuição no faturamento das empresas, houve um movimento de adiada dos honorários. Isso quer dizer que muitos escritórios ficaram, também, sem receber. Tudo isso aconteceu justamente durante a época de entrega de diversas obrigações acessórias, como a DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte) e a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais).

O momento em que vivemos é delicado. Não é possível, ainda, fazer um balanço completo de todo o cenário, então, muitos escritórios estão buscando novas formas de enfrentar a crise — seja com contratações para atender ao aumento na procura ou ofertando novos serviços para suprir os déficits.